LXXXIII
Tinha o mesmo nome que eu, coisa rara, raríssima, pois, havia algum lugar em que meu nome era comum, essse local ficava a um mil quilômetros de distância. A avó viera de um pouco mais longe, um mil e trezentos quilômetos, e deve ter trazido a sugestão na cabeça enquanto a mala, vazia, compunha-se de meia dúvia de trajes pobres e desbotados.
Pois o nome era o mesmo, a idade um pouco maior, a cidade, a vizinha, e o tiro foi, azar, fulminante. Jogou na roleta, e não entendi de cara, mas daí veio a explicação do tambor da arma e da bala única, que só era mortívera uma vez em meia dúzia, sete nos filmes americanos.
Morreu assim, bestamente, certamente havia droga envolvida, ninguém faz isso em sã consciência, argumentavam, especialmente a dona que se orgulhava dos peitos terem ficados mais bonitos depois terceiro filho.
Mais velha, a coroa retrucou: "Em dez anos, volte aqui e me responda se não cabem dois lápis sob a mama."
Com a mudança e as mudanças, pensei que nunca poderia um dia comprovar tão estranha tese, mas o destino não quis que eu morresse sem sanar esta dúvida.
Cabiam.
Escrito por Lé às 18h48
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