C
Quem adoeceu ainda, mas não partiu por hora, foi a dona do posto de gasolina. Morreria num desastre, num desastroso domingo, dia de Santa Rita. Ela, justo ela, que tinha quadris largos e voz fina, dançava como uma onda de represa, de tão devagar. Precisava faltar à missa naquele dia, trocar a igreja pela praia inalcansável?
Não, não podia ser vingança da santa, pois, se Deus não tem tanta compaixão, o mesmo não se pode dizer das virgens. Virgens são virgens, não têm pecado, mas pode - ou não pode? - odiar.
Mas o que é uma virgem?, veio a demanda. Olhei para a santa, não encontrei a resposta. Também não estava na menina acidentada, só ajudando a me confundir ainda mais.
Escrito por Lé às 14h03
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
CI
É o tipo de coisa que não se ensina na aula de catecismo, explicou a professora, antes de morrer também ela.
Havia um mandamento, na Bíblia era claro, mas no livro de estudos, meu Deus, eu clamava, quando vou compreendê-lo? "Respeitar o seu corpo e o dos outros." Não havia didática envolvida que desse conta da dúvida. Trocava professora, vinha o padre, jurava de pés juntos, não conseguia entender.
Mas alguém havia de me ensinar, nada como uma pergunta para que a resposta seja encontrada, ponderou o professor de lógica, ou por outra, se há a pergunta, é porque a resposta já existe, insistiu, sem atentar para a equação, quando devidamente ela lhe foi posta, à mesa, na frente da professora de inglês, que se supunha virgem, também.
Um dia você entende, desistiu a religiosa que ensinava datilografia, asdfg, mas até lá quero quarenta palavras por minuto, feito?
Tive de correr, embora meu pai não estivesse na forca, mas na esquina, tocando seu negócio, no ramo da alimentação.
Escrito por Lé às 13h52
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|